«

»

mar 10 2015

Imprimir Post

Paz nas Torcidas. Paz nos Corações.

lariesda-presenca-vipEu não sei falar sobre cultura da paz. Eu nunca li Tostói. Também sou um mau exemplo religioso. Acendo uma vela para cada santo, rezo em todos os altares de acordo com minha necessidade e até recito Em nome de Jesus, com meu patuá no bolso e um japamala no pescoço.Família católica, mãe espírita, pai macumbeiro, vô batista e filha budista, esta minha família só tem uma coisa em comum na sua fé: o respeito.
Não, eu nunca chamei meu pai de senhor. Na verdade eu nunca chamei nem o presidente, nem ministros e nem o bispo de senhor, não fui educada assim. No meu tempo de repórter e de colunista, quando convivia mais de perto com os poderes, começava a entrevista chamando o governador de “senhor”, em um esforço hercúleo, mas já descambava pro “você” na segunda questão.
Pois então que raio de educação de respeito foi essa que eu recebi? Aprendi com meu pai e com minha mãe (que dizia: “Senhor” está no céu), e na escola menonita, o Erasto Gaertner, lá no Boqueirão, que todos somos iguais. Muito iguais. Mas muito muito mesmo.
Minhas dores são iguais as dores de qualquer um. Minha alegria de torcedora pode ser idêntica a dos torcedores do Íbis ou do Chelsea, e minha liberdade de escolher um candidato e suar por ele é igualzinha à sua, e isso porque um bando de jovens cabeludos lá nos anos 70 deu sangue por isso.
Jovens que poderiam ser o seu pai, a sua mãe ou aquele seu filho mais rebelde. Porque todos fazemos parte da mesmíssima humanidade, compartilhando uma época e escrevendo, atitude por atitude, uma mesma história. A história do nosso tempo.
Pra falar de paz eu preciso invocar o respeito. Acredito que quem respeita o outro, a vida, a liberdade, a humanidade, quem entende que todos somos iguais, e irmãos, e desejosos de amor e bênçãos, anda por um caminho de paz.
A partir desta opção amorosa é possível evoluir e tornar-se uma pessoa melhor, com questões muito simples pra fazer em “fofoca íntima” (como dizia Gaiarsa), a noite, antes ou depois da sua oração:
– Hoje eu desrespeitei alguém? E hoje eu fui, de alguma forma, para alguém, uma benção?
Pessoas que abençoam, perdoam. Amam, respeitam e podem realmente viver em paz.
-x-
Esta é a minha homenagem a Ana, esta guerreira da paz e da luz, um dos maiores exemplos que tive o privilégio de encontrar nesta jornada.
Agradeço a Claudia pelo convite e pela generosidade em compartilhar seu concorrido espaço.

Lara Sfair é jornalista.

Link permanente para este artigo: http://www.claudiawas.com.br/?p=4870

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *