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abr 16 2017

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As bundas de Havana, por Paloma Jorge Amado

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Desde a noite da Sexta-feira da Paixão que estou de volta à minha casinha em Salvador, para o regaço de meus gatos queridos, que não têm poupado carinhos, conversinhas de miaus, massagens em minha barriga (vovó Lalu chamava “fazer pão”). Sábado de Aleluia foi dia de almoço com Bete Capinan, para comer palmito assado, colocar papo em dia.
cronica-de domingo-paloma-exceções-as-bundas-de-havana 2Cuba continua presente, a cada instante me lembro um detalhe, um sorriso, uma música, um aspecto da cidade de Havana. Abrindo as malas, tiro as goiabeiras que comprei para meus netos, o boné de Guevara de Pablito, namorado de Cecília, os charutos de Beto, meu fiel escudeiro, que vai ser pai (de Clarinha) daqui a uns dias. Charuto também para Hugo e Romário, pai e avô de Hian, filhinho de minha afilhada Raiane.
Que gente decente e direita é esse povo cubano. Que orgulhosos são de sua resistência. Não vi vergonha, não vi racismo. Brancos, negros e mulatos, indistintamente sofrendo os mesmos sofrimentos, dançando as mesmas danças, amando e vivendo com muita dificuldade. Um orgulho em particular me chamou a atenção: as bundas das mulheres! São lindas, grandes, de várias formas e feitios. Quase todas exibidas em legs bem justos, roupa confortável e certamente fácil de encontrar na Ilha. Vi e fotografei de um tudo, sempre levantando meu polegar para ter o consentimento (respondido com sorrisos amáveis). Pensei em fazer um concurso, mas para que, não é mesmo? Sempre lembro de meu pai dizendo que esse negócio de o melhor, o mais bonito era besteira.
cronica-de domingo-paloma-exceções-as-bundas-de-havana 3Quando citei as bundas em outra crônica, meu amigo Gil pediu fotos e texto. Aí está, Gil. Dedico esta crônica a você e também a meu pai e meu dindo Carybé, apreciadores de uma bela bunda. E finalmente, a dedico a Nizan Guanaes, que ao conhecer meu pai, pensando que o escutaria falar de intelectualidades, o viu comentar com o compadre Carybé sobre a bunda de uma bela mulher.
Sei que o tema, atualmente, é tabu no Brasil. Desde a música de Rita Lee (que por ser mestiça de americano, é desprovida de ancas e glúteos redondos), em que diz nem toda brasileira ser bunda, que falar bem desta parte do corpo virou coisa feia. Mas creio que é uma compreensão errada da história. Ter bunda bonita é o mesmo que ter pernas, olhos, cabelos, braços bonitos. Darcy Ribeiro dizia a mamãe que ela tinha braços lindos, e papai morria de ciúmes! Vejam só. Brasileira é brasileira, bunda é bunda, e brasileira pode ter ou não bunda bonita.
Brasileira nunca vai ser uma bunda, mas não lhe negue o direito de ter uma e disso torná-la ainda mais bela. As que vou mostrar aqui são cubanas. Nem toda cubana tem bunda bonita, mas a maioria tem, e o povo de lá aprecia muito! E viva Cuba.

***
Aproveito este espaço para um esclarecimento:
Mais uma vez fazem circular uma crônica minha chamada “Odeio prepotência”. Eu a escrevi em abril de 2011, há 6 anos, portanto, quando vi o senador, a quem nela me refiro, tomar violentamente o gravador de um jornalista e quebrá-lo. Cada vez que este senhor faz algum desmando (e faz muitos…), minha crônica volta a circular, não por meu intermédio, mas dos que a leram, gostaram e copiaram. Muitos perguntam se é mesmo minha, se eu sou mesmo filha de meu pai. As respostas são:
A crônica foi escrita por mim e relata fatos acontecidos realmente com nossa família no aeroporto Charles De Gaulle, em Paris. Eu sou filha do Jorge Amado, sim. Finalmente quero esclarecer que a frase final que circula junto com minha crônica: “Obs. O senador é fulano de tal”, não foi escrita por mim, e sim por quem quis deixar claro o nome do cidadão. Tenho cuidado com o meu estilo, e o dito senador não merecia que eu lhe citasse o nome.
Se quem for reproduzí-la achar necessário esclarecer com nome e sobrenome quem é o gajo, peço que o faça fora do meu texto. Obrigada.

Boa Páscoa a todos, um bom renascer com gosto de chocolate.

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